Exposição traz trabalhos inéditos de Thomaz Perina

Telas descobertas em coleção particular estão na Unicamp, sob curadoria de Geraldo Porto e Marco do Valle

por Bruno Ribeiro
 

 Thomaz Perina, um dos maiores expoentes da arte moderna em Campinas, morreu no ano passado, mas continua presente na cena artística da cidade. A exposição aberta quinta-feira (11/11), às 11h, na Galeria de Arte da Unicamp, revela o quanto de sua obra ainda está por ser descoberta. Ontem, Hoje e Sempre Thomaz Perina é formada por 27 peças de um acervo de cem obras inéditas encontradas por Geraldo Porto, um dos curadores da mostra ao lado do escultor Marco do Valle.

Segundo Valle, as telas faziam parte da coleção particular do proprietário da Tapeçaria Arruda, de quem Perina era amigo. “Nós não sabíamos da existências dessas obras e ficamos emocionados quando Geraldo Porto as localizou”, conta. Dada a sua importância cultural e histórica, o acervo foi adquirido pela Unicamp. Dele, o visitante da exposição poderá extrair as impressões pessoais do artista sobre a cidade de Campinas durante as décadas de 40, 50 e 60.

A Vila Industrial, bairro onde passou toda a sua vida, é retratada em várias obras. Vistas em conjunto, as telas contam a própria trajetória do artista, da infância à idade adulta, e de que forma a paisagem campineira atuou na construção de seu imaginário figurativo. “Mesmo quando Perina é abstrato, a figura nunca deixou de estar presente em seus trabalhos”, comenta Marco do Valle.

Dentre os temas prediletos do pintor estão a estrada de ferro da Mogiana, o encontro entre o rural e o urbano, os circos mambembes, as fábricas, os terrenos baldios, o bairro onde morava e arredores, como o bairro Bonfim. “Estes datam do período em que ele costumava sair com o amigo e pintor Mário Bueno. Eles andavam a pé pelos bairros e quando encontravam uma boa cena, armavam o cavalete e pintavam no local”, conta o curador.

A hoje movimentada Avenida Governador Pedro de Toledo é retratada em 1953. Na paisagem, há uma perspectiva da avenida e, à esquerda, um painel publicitário e um terreno baldio. “Neste terreno foi construído o antigo condomínio do DER, onde moro até hoje”, conta Valle. Para o escultor, Thomaz Perina retratava Campinas com uma atitude moderna e cosmopolita, mas sempre atrelada aos aspectos interioranos que ela ainda preservava.

Os quadros da coleção prescindem da figura humana. Perina não gostava de pintar gente. Os caminhos de suas pinturas estão sempre vazios e a solidão é marcante até mesmo quando o tema é o circo, onde não há ninguém. “A solidão que existia dentro do pintor acabava sendo projetada para a tela, criando uma impressão nostálgica da arte brasileira”, define Marco do Valle.

Serviço
Exposição Thomaz Perina: Ontem, hoje e sempre

De 11 a  26 de novembro, das 9h às 17h

Galeria de Arte da Unicamp (Prédio da Biblioteca Central, Térreo, 3521-6561)

Entrada franca 

Fonte: Cosmo Online



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