Foto: Paulo Lepetit, Naná Vasconcelos e Zeca Baleiro

Imagine os filhos de dois de grandes nomes da cultura brasileira, Marcel Powell, de Baden Powell, e Danilo Caymmi, de Dorival Caymmi; os originalíssimos arranjos do pianista Túlio Mourão para músicas dos Beatles, o bandolinista Hamilton de Holanda e o emblemático pianista e compositor Antônio Adolfo todos em um mesmo festival. É este time do primeiro escalão que o público pode esperar no 9º Festival Etapa de Música de Arte (FEMA), em Valinhos (SP), de 21 a 23 e de 28 a 30 de agosto, em dois finais de semana que prometem movimentar a cena cultural.

O festival também irá reunir em um mesmo encontro os músicos Naná Vasconcelos, Zeca Baleiro e Paulo Lepetit, com lançamento do aguardado CD gravado a seis mãos. Para este show, os ingressos já estão esgotados.

Nos dois domingos (23 e 30), a entrada será gratuita, com retirada de ingressos uma hora antes das apresentações. Para as demais atrações, os ingressos já estão à venda, com renda integralmente revertida para a instituição Aliança Beneficente Universitária São Paulo (ABEUNI).

“Chegamos ao 9º ano do Festival Etapa e como nas edições anteriores, a preocupação é com a qualidade da programação, que, como sempre, busca trazer para a cultura da região metropolitana de Campinas, um painel do que há de melhor na música brasileira, mesclando gêneros, estilos e gerações”, afirma o curador Luiz Amaro.

Os artistas
Hamilton de Holanda: do violino ao bandolim

Foto: Hamilton de Holanda

O Festival terá abertura de Hamilton de Holanda Trio: o bandolim do músico será acompanhado por Thiago da Serrinha (percussão) e André Vasconcellos (baixo acústico).

Filho de pernambucanos, Hamilton de Holanda nasceu no Rio de Janeiro, mas em seguida sua família, repleta de músicos, mudou-se para Brasília. Desde pequeno participava de rodas de samba e choro em sua casa. Aos 5 anos, depois de ganhar um bandolim do avô, passou a estudar música. “Comecei com o violino porque não tinha professor de bandolim na escola. Passava a semana estudando música clássica e no fim de semana participava das rodas de choro”, conta.

Apesar da formação clássica e da base musical no samba e no choro, Hamilton também foi influenciado pela cena rock de Brasília e chegou até a tocar baixo em uma banda. Seu ouvido apurado também apreciava MPB e jazz. “Brasília é uma cidade nova, onde as tradições se encontram. Cresci no meio de tudo isso. Essa mistura foi definitiva na minha formação”, diz.

Hamilton já dividiu palcos e estúdios com Maria Bethânia, Ivan Lins, João Bosco, Seu Jorge, John Paul Jones (Led Zepellin), Chucho Valdes, Richard Bona, Winton Marsalis, Bella Fleck, Buena Vista Social Club e Cesária Évora, por exemplo. Recentemente, teve diversas obras lançadas na Alemanha. A maturidade e a complexidade de seu trabalho acabaram ficando pequenas para um bandolim de apenas oito cordas. Depois de estudar violão e composição, ele percebeu que precisava expandir o som do seu instrumento: “Eu via um pianista e achava legal que ele tocava melodia e acorde ao mesmo tempo. Queria fazer isso com o bandolim, então pedi para criarem um com dez cordas, que acabou virando meu instrumento”.

Danilo Caymmi

Foto: Danilo Caymmi

Nascido em uma das famílias mais musicais do Brasil, o filho de Dorival Caymmi e Stella e irmão de Dori e Nana, Danilo irá revisitar composições próprias e clássicos do pai, acompanhado pelo violão de Flávio Mendes.

Danilo começou a atuar como flautista e compositor nos anos 1960. Com “Andança”, obteve em 1968 o terceiro lugar no Festival Internacional da Canção da TV Globo. No ano seguinte emplacou o sucesso “Casaco Marrom”, parceria com Guarabira e Renato Correia. Trabalhou com sua família, com Edu Lobo, e em 1973, lançou um disco com músicas de sua autoria.

Na década de 80 passou a integrar a banda de Tom Jobim, acompanhando o maestro por 10 anos em suas turnês mundo afora. Já no final da década foi contratado pela TV Globo para compor trilhas para séries e minisséries da emissora. Em 2013 gravou com Nana e Dori o CD “Caymmi”, em comemoração aos 100 anos do nascimento de Dorival Caymmi.

Beatles na partitura de Túlio Mourão

Foto: Tulio Mourão/Carol Reis

O pianista, compositor Túlio Mourão traz para o Etapa o projeto “Come Together – Túlio Mourão Plays Beatles”, em que apresenta abordagens originais das composições do quarteto inglês, acompanhado por Vagner Faria (baixo) e Edivaldo Izo (bateria).

Mineiro de Divinópolis, o músico tem uma trajetória rica e ao mesmo tempo curiosa na música brasileira. A sua diversidade artística o levou do rock dos Mutantes às partituras barrocas do filme “O Viajante”, das Congadas de Minas ao free jazz de “Panis Angelicus”, orquestrada para Milton Nascimento, e aos tambores ancestrais de Mandinga.

Túlio se multiplica em instrumentista, arranjador, produtor de discos e diretor musical de eventos. Trabalhou com grandes nomes da MPB como Chico Buarque, Fagner, Raul Seixas, Ney Matogrosso, Maria Bethânia, Belchior, Paulo Moura, Zezé Mota e muitos outros. Em 1993, em Paris, participou como solista do projeto “Les Nouveaux Sons de L’Amérique”, que reuniu as novas tendências da música na América Latina.

Entre os vários discos gravados com Milton Nascimento destaca-se “Nascimento”, álbum vencedor do Grammy. Túlio acompanhou Milton de 1988 a 2000 em gravações e shows no Brasil e no exterior. Fez a direção musical do espetáculo “Missa Dos Quilombos”, de Milton Nascimento, Pedro Tierra e Pedro Casaldaglia, com direção de Luis Fernando Lobo.

Em 2004 compôs a trilha sonora do filme “O Vestido”, de Paulo Thiago. De 2002 a 2004 foi responsável pela direção artística do Festival Internacional “Tudo É Jazz”, que se realiza em Ouro Preto. Túlio também produz e apresenta programas sobre música instrumental para a Rede Minas de Televisão.

Marcel Powell

Foto: Marcel Powell/GerardPenkhoss

Baden Powell, um dos maiores nomes do violão brasileiro e todos os tempos, deixou dois filhos que herdaram sua musicalidade. Um deles, Marcel Powell, começou na música estudando violino, mas, encantado com o instrumento que o pai tocava, acabou enveredando pelo caminho paterno e recebeu dele instrução e assistência dos nove aos 18 anos.

Com 15 anos de idade, Marcel gravou com o pai e o irmão Philipe Baden, ao piano, os CDs “Baden Powell e filhos” e “Suíte Afro-brasileira”, este último lançado apenas no Japão.

Seu primeiro disco individual chamou-se “Samba Novo” e teve participações de outros filhos de pais ilustres, como Diogo, filho de João Nogueira; Cláudia, filha de Sylvia Telles; e Ana Martins, filha de Joyce, além do grande percussionista Marcos Suzano.

Com seis álbuns lançados ao longo de sua carreira, o instrumentista de 32 anos faz neste espetáculo uma homenagem ao seu pai Baden, com releituras de composições como Berimbau,Samba em Prelúdio, Astronauta e Tempo Feliz, entremeadas com histórias de suas experiências pessoais com o pai e mestre.

Naná, Zeca e Paulo lançam o projeto “Café no Bule”
Esta edição do Festival marca a estreia nacional do projeto “Café no Bule”, com show e lançamento de CD do trio Naná Vasconcelos, Zeca Baleiro e Paulo Lepetit, que terá a participação de Adriano Magoo (sanfona e teclados).

Naná, um dos mais importantes percussionistas do mundo; Zeca, autor e cantor de grande sucesso popular; e Lepetit, baixista, compositor, arranjador e produtor, se juntaram neste projeto, que será levado também para palcos internacionais.

“Começou com o projeto “Tirando Satisfação”. Evoluiu para “Café no Bule”. Entre um e outro, muita diversão, camaradagem e, principalmente, muita música que fluiu com uma naturalidade que raras vezes vi acontecer. A generosidade, competência e talento de Zeca e Naná, dois dos maiores nomes da nossa música, me proporcionaram alguns dos momentos mais prazerosos da minha vida profissional. Agora o desafio é mostrar que neste bule tem café, porque satisfação já tiramos e certamente tiraremos muito mais”, diverte-se Paulo Lepetit.

“Lepetit e Naná são dois ídolos que guardo no meu santuário particular desde que conheci suas músicas. O primeiro, com seus experimentalismos rock’n’roll, junto à vanguarda paulistana de Arrigo e Itamar, e o segundo, com seus batuques telúricos que ecoam o som das ruas, desde Olinda e Recife até Paris e Nova York. De repente, me vejo num estúdio dividindo um disco inteiro com esses camaradas, ainda ídolos, mas agora também amigos e parceiros queridos. Tenho que admitir – sou um cara de sorte, saravá oh yeah!”, dispara Zeca Baleiro.

“Foi uma ideia do Paulo Lepetit e do Zeca Baleiro, parceiros que estiveram comigo em um outro projeto (Isso Vai Dar Repercussão). E eu aceitei de cara tomar esse café com eles. É muito divertido e me leva a escrever letras para canções com outras pessoas, coisa que nunca pensei fazer e acho até engraçado. Este passeio pelo “batucafro’ que me fascina e me faz dançar”, finaliza Naná.

Antonio Adolfo

Foto: Antonio Adolfo

Nome emblemático da música brasileira, Antonio Adolfo traz para o show os músicos Márcio Bahia (bateria) e Bruno Aguilar (baixo).

Pianista, arranjador, produtor e educador, cresceu em uma família musical no Rio de Janeiro. Começou seus estudos de violino aos sete anos, mais tarde passou para o piano e aos 17 já era músico profissional. Estudou no Brasil, Estados Unidos e França e teve como professores, entre vários outros, Guerra-Peixe e Eumir Deodato.

Durante a década de 1960, a partir de sua estreia com Carlos Lyra no Teatro de Bolso e com Leny Andrade no Beco das Garrafas, passou a atuar com seu próprio trio, participando de shows de bossa nova e jazz pelo Brasil. Excursionou com diversos cantores e cantoras, tais como Leny Andrade, Carlos Lyra, Flora Purim, Wilson Simonal, Elis Regina e Milton Nascimento. Compôs músicas como Sá Marina, Teletema, Juliana e BR 3, que alcançaram grande sucesso e foram gravadas por artistas como Elis Regina, Wilson Simonal, Maysa, Emílio Santiago, Sérgio Mendes, Stevie Wonder, Herb Alpert, Earl Klugh e Dionne Warwick.

Foi vencedor, juntamente com seu parceiro Tibério Gaspar, do Festival Internacional da Canção em 1970. Como músico, arranjador e produtor musical gravou com alguns dos nomes mais importantes da música brasileira, além de ter lançado 26 álbuns próprios.

Como educador, criou em 1985, no Rio de Janeiro, o Centro Musical Antonio Adolfo, que acaba de completar 30 anos de existência e hoje tem mais de 1300 alunos.

Lançou sete livros didáticos no Brasil e dois no Exterior. Antonio Adolfo vive, atualmente, nos Estados Unidos. Lançou o CD “Finas Misturas”, que foi aclamado com ótimas críticas e execução em rádios de jazz de diversos países. Em maio deste ano lançou o álbum “Tema”, também com ótima receptividade.

Programação
21/8 (sexta-feira), 20h – Hamilton de Holanda Trio
22/8 (sábado), 20h – Danilo Caymmi
23/8 (domingo), 19h – Túlio Mourão Trio (Entrada gratuita)

28/8 (sexta-feira), 20h – Marcel Powell
29/8 (sábado), 20h – Naná Vasconcelos, Paulo Lepetit e Zeca Baleiro (ingressos esgotados)
30/08 (domingo), 19h – Antonio Adolfo Trio (Entrada gratuita)

Serviço
9º Festival ETAPA de Música de Arte
Quando: 21 a 30 de agosto/2015
Onde: Teatro ETAPA (Valinhos)
Endereço: Av. Dr. Antônio Bento Ferraz, 95 – Valinhos/SP
Site: www.etapa.com.br/festival
Ingressos: R$ 30,00 (inteira); R$ 15,00 (meia)
Classificação etária: 10 anos
Acesso a pessoas com necessidades especiais
Estacionamento gratuito no local

Pontos de venda sem taxa de conveniência
• ETAPA Av. Dr. Antônio Bento Ferraz, 95 – Valinhos/SP
Horário de venda: de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h; sábado, das 8h às 12h.

• FNAC Parque Dom Pedro Shopping – Av. Guilherme Campos, 500 – Campinas/SP
Horário de venda: de segunda a sábado, das 10h às 20h; domingo e feriado, das 12h às 18h.

Pontos de venda sujeitos à taxa de conveniência
• Ingresso Rápido (Pontos de Venda)
http://www.ingressorapido.com.br/pontosvenda.aspx?UF=SP

Pela Internet
Ingresso Rápido (sujeito à taxa de conveniência)
http://www.ingressorapido.com.br/Evento.aspx?ID=42498

Entrada gratuita: shows dos dias 23 (Túlio Mourão Trio) e 30 de agosto (Antonio Adolfo Trio). Retirada de ingressos uma hora antes do início das apresentações, na bilheteria do ETAPA, em Valinhos/SP

Formas de Pagamento
• Amex, Aura, Diners, Dinheiro, Hipercard, Mastercard, Redeshop, Visa e Visa Electron.

*Meia-entrada: Ingressos de meia-entrada são pessoais e intransferíveis.
• Estudantes: apresentar Carteira de Identidade Estudantil na entrada do evento
• Professores da Rede Estadual, Aposentados e Idosos acima de 60 anos: apresentar RG e comprovante.

**Ingresso Promocional: 20% de desconto para compra de 4 ou mais ingressos de no mínimo 2 apresentações do festival. Venda limitada a 4 ingressos por apresentação por cliente. Promoção não válida para meia entrada.



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